domingo, 12 de junho de 2011

Histoire de changer

Seu sorriso insolente parece ter fugido
Tem algo que lhe incomoda?
Presumo que não
Você é uma barreira tão potente
Impenetrável, irresistível
Estou certa?
Não me diga que você sente!
Que tem algo no interior do seu ser além de ego
Seus olhos me dizem uma coisa
A formação retilínea que seu lábio assume
É surpreendente!
Minha leitura deve estar equivocada
Você tão forte!
Será que algo que fiz mexeu com a realidade inabalável?
Alterei seu modo de pensar?
Realmente, não poderia ter previsto
Acho que você também não
Nossa noite foi aquilo pelo que não esperávamos
E agora isso mudou algo?
No meu ver sim
E supostamente seu olhar me disse que concordamos
Por isso é uma boa noite
E até segunda-feira, talvez

Perfume

O aglomerado de pessoas
Rumavam na pista de dança sem um sentido certo
O som antigo de infância e o suor eram tão presentes
Tudo completamente sem ritmo
Mas com uma sincronia perfeita
Meu cabelo grudava na face
Os parceiros traçavam sem rumo
Ele tentava se sobressair
Mais eu estava feliz
A dança me inebriava
Meu par seguinte não partiria
Eu sabia disso no momento em que o vi em minha direção
E assim a dança continuou
Até o momento da parada
Eu queria mais
Queria flutuar
Queria ser puxada por seus braços
Não pelos braços do meu amado
E sim por um desconhecido
Com um perfume marcante
E braços fortes
Sei que foi só um momento de distração
Mais aquele perfume ficou em minha roupa
E eu adormeci com o cheiro e a lembrança do final daquela noite
Existe esperança sem ele
E agora eu estou completamente ciente disso
Eu posso experimentar outros venenos
Enquanto o meu não matura realmente

terça-feira, 7 de junho de 2011

As gotas queimavam sua pele nua dos ombros
Seus cabelos não passavam de fios enegrecidos e retos
A boca estava em uma linha uniforme, presumo que pelo frio

As calçadas da rua doze pareciam estar sofrendo de uma das secas mais difíceis
Apesar da chuva forte que cobria a sua cabeça
Era um sopro constante de aviso para sua situação
Sozinha, novamente
Sem ninguém a quem recorrer

A infância passa incessantemente por seus olhos
A dor consumia cada grama de esperança que já tivera
Ela sabia a verdade
Mas teimava em tentar ver o lado bom em tudo
Seus sentimentos agora morriam com a ultima gota de esperança

Sozinha, novamente
Com a olhar vidrado
E o símbolo maior de sua fé em cacos ao chão

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Contestação

Na escuridão
Ela chora
Ele ri
Eu observo
Pois a chuva continua caindo
Como naquela noite
Enquanto, ele chorava
E ela ria

Será que foi o destino
Ela não acredita que exista um
Ele sempre acreditou
A verdade é que nenhum deles realmente esperava
Nenhum deles nunca admitiria
Por que sempre esteve presente entre eles a mentira

O ar continuava pesado
E a chuva cada vez mais forte
Agora ela começou a soluçar
Ele não gostou do som
Por que isso lembrava o passado
Lembrava o riso
Lembrava aquilo que ele sofreu
Ela nunca o amou
Mais ele sempre amaria ela

Seus braços fizeram o caminho para o qual eram destinados
Seus ombros tremiam, e suas pupilas se dilatavam
Seu toque era quente
Seu tremor era constante

Nunca o amou
Porém nunca pensou na possibilidade de ele ama-la
Era como se a dor sumisse
Como se tudo que a fizesse sofrer evaporasse em seu toque
Ele era reconfortante
Doce
Apaixonado?

A chuva parou
Ele se afastou
Não aguentaria mais esse sentimento agridoce

Sua angustia voltou
Mais por um motivo diferente
Agora ela sabia
Ela o ama