sábado, 23 de julho de 2011

27 anos

Parece irônico
Ou simplesmente cômico
Os grandes morrem cedo
Deixam suas marcas
As vezes profundas
As vezes superficiais

No caminho para a glória
As pedras pesam,
Rolam através do penhasco
E o fundo realmente chega

Um clube seleto
Com letras queimadas por chamas azuis
Com vozes gravadas e regravadas
Soam por vocês, pelos macacos do ártico

As vezes os grandes nascem para ser
Seus cortes são destinados
E seu corpo torna-se um instrumento
Das vontades do soul
Por que hoje temos mais um membro no clube dos 27

Dedicado à Amy Winehouse (23/07/2011)

"Morre hoje uma grande cantora, e fica a lição, de que as vezes as coisas são mais complicadas quando se tem uma garrafa ao lado."

domingo, 17 de julho de 2011

Imaginaria

A sua gentileza
é bordada por más intenções
Suas palavras não valem
São ocas
Sem nenhum sentimento

Com a sua presença, sinto-me só
Nada que diga faz-me acreditar em você

A dor é minha companheira
E você sempre foi a melhor amiga dela
Com o passar do tempo você ficou mais egoísta
Por que não dividir a dor?
Você quer tudo
Nunca nega nada

Sua presença tornou-se imunda
Encobrindo minha visão
O meu julgamento

A dor nunca me deixou
Todo seu jogo para com ela não funcionou

Ela é leal, cruel e acima de tudo real
Você é falsa, mentirosa e parte de um mundo que eu inventei

Combustion de fichier

As teorias de conspiração ficaram para o passado
Cada nota existente naquele livro foi apagada e queimada
Em uma fogueira de chamas azuis, tudo terminou
Assim como começou, sem lágrimas, palavras, gestos
Pois um sentimento não existe só no interior
Nada sobrevive assim

Acima das minhas expectativas,
durou tanto tempo
resistiu a tanta coisa
Minha fé foi enganada pela sua protelação
Como sempre sou enganada
Não por confiar
Sim por acreditar demais
Naquilo que ninguém diz

Essayer de dire au revoir

Só quero me libertar
Romper com os laços que nos unem
Me sentir livre,
livre de você

Não quero mais ficar presa aos seus olhos
Não quero mais ficar inebriada pelo seu perfume

Não mais ter essa sensação de falsa liberdade
Por que não quero mais ficar presa à emoção

Vou deixar essa sua influência morrer
Assim como o brilho dos meus olhos ao te ver

Só quero me libertar
Romper os laços que nos unem
Me sentir livre,
livre de você

Nas noites não quero mais sonhar
Anseio pelas músicas tornarem-se vazias
Por filmes serem apenas filmes
E livros somente livros

Seus olhos não mais iram encontrar os meus
Se andar não me levará ao devaneio
E agora só serei livre,
livre de você

Manifesto

Maldita ganância que corroí o ser
dinheiro, sangue, guerra, poder
Hediondos seres
Com olhos fechados e fluidos grotescos
Mãos de tons pútridos,
e bocas degastadas

Olhem seus rostos, no espelho da realidade
E vejam que não passam de demônios sedentos por poder

Morte, dizem
Vida, retruco
Pois sua sede jamais será saciada  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Celebrado

como se não houvesse jeito
tudo aqui era uma fachada para a adulação
esse reino falso e quebrado
com nada além de vidro estilhaçado ao chão
seu nome passou a ser o grito dos desesperados
você é um espectro celebrado
os sobreviventes de sua vontade
lutam contra a morte
que bate incansável à porta
com fevor e adulação
sua imagem para ela é uma partitura
um desejo seu se torna a sua vontade
como maldito é celebrado

terça-feira, 12 de julho de 2011

A caixa

A chave permanece em meu pescoço
a caixa está em um lugar seguro
eu confio em você
sei que a mantém em segurança,
apesar de toda a distância
continuamos unidos

Somos parte de um mesmo ser
que mesmo com toda adversidade
nunca deixamos o que temos de mais forte morrer

As badaladas continuam a soar
e eu esperarei quando você voltar,
sim eu temo
mas confio em nossas palavras
tenho a esperança de tocar em suas mãos mais uma vez
Pois apesar das maiores das tempestades
você ainda é o meu coração

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Distante do ponto onde está o perto

O que passa pela sua mente?
Por que tudo tem de ser tão complicado?
Nunca nos cansamos do esconde-esconde?
se pudesse escolher o que analisar
sem dúvida seria os estudos de sua mente e decodificação de suas ações
Você gosta de mim?
Ou é só um hobbie mexer comigo?
Perdoe se eu pareço fazer o mesmo
Por que não é isso que eu realmente quero
Na realidade a única coisa que realmente necessito é você
Tento manter a minha abstinência
Mas você não ajuda estando sempre tão perto
Eu queria ter o dom de saber o que tudo isso significa para você
E o porquê de você me deixar alegre e dolorida ao mesmo tempo
A sequência da nossa história está sempre em suas mãos
Tente quando partir não levar um fragmento meu com você

Paradoxo

Como negar que tudo não bastou de um conhecimento vil?
Que o tempo que passou não foi de todo ruim
Como, será a pergunta ou a solução
Isso representa a complexidade humana, no meu ver
contudo nem sempre meu ver é de acordo com o seu
Minha visão pode estar errada

Você só tem olhos para a sua sua verdade
Será que não há outras verdades além da sua?
Tudo tem que girar ao seu redor
Como se você exercesse uma força de atração
Você tem que ser sempre a razão, a resposta do problema?
2 + 2 será sempre igual a 4

Em uma sessão de auto conhecimento podemos notar o quanto somos diferentes
Isso não deveria nos separar?
Pois acho que é o que nos uni
Porque 2 + 2 será sempre 4

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sorrisos

Sorrisos,
escondem palavras e não sentimentos
são falsos, verdadeiros, raros, tristes
são assim os sorrisos

Quando sorrio para você não quer dizer que estou feliz
quando me nego a sorrir é por não ter força,
pois um sorriso cansa
doí, arde no fundo de esconder as lágrimas
pois as lágrimas você consegue ler
um sorriso não

Verão

Crianças correm
Pássaros cantam
Mães gritam
tudo acontecendo com uma perfeita harmonia

A luz do sol ilumina as faces com de marfim
a areia continua em uma  heterogeneidade doentia,
mas isso não importa quando se pode nela construir um castelo

As ondas passeiam com um ritmo fixo
sem mudança, tudo constante e silencioso
tudo como as pessoas querem

O verão é sempre caótico, previsível
com a alegria espalhada pela falsa sensação de recomeço
será assim o verão?
Pergunta a criança que não corre
A mãe que não grita
Aquela que não ouve canto, sim o lamento das aves

O depois

Já faz dias desde o último contato
o cheiro de mofo está agora presente nas minhas narinas
as antigas fotografias juntam poeira,
na estante do nosso antigo esconderijo

Copos de cristais intocados
chinelos em posição reta ao lado da cama
as cores dos murais não são mais diferentes
olhos leigos não veem mais o sentimento nas gotas de tinta

pétalas de rosas chamam as formigas,
elas não fazem ideia da noite que seguiu o presente
só tem o papel de lavar o que dele restou
para servir de alimento

A entrada me entristece
mais ao sair sinto que o fio, já frágil, se rompe
não mais voltarei
e sei que fará o mesmo
porque depois do período de abstinência
não há mais volta